Super-heróis e a História

Hoje é dia de uma breve reflexão. Nada filosófico, mais histórico, eu diria. O que o contexto tem a ver com o momento que cada herói foi criado? Já pensou nisso? Ou será que Hulk e Homem-Aranha poderiam ter surgido antes da Segunda Guerra Mundial?

Vamos começar por Batman, o homem rico que, na escuridão, defende a cidade do crime. Sua primeira aparição foi na DC Comics em maio de 1939. Sua história pode ser relacionada com a instabilidade econômica dos EUA da época, em que milionários, gângsteres conviviam com a miséria do povo à beira da 2ª Guerra Mundial. Em meio a essa crise de identidade, não à toa surge um herói cheio da grana e atormentado pelo fato de bandidos terem matado seus pais.

Batman em 1939

Batman em 1939

E o grande Hulk? Marvel cria o monstro cinza em maio de 1962, mas algumas edições o personagem veio verde, que foi adotado pela editora. A ideia de ser exposto à radiação traz à tona a discussão sobre energia nuclear do período, em que testes radioativos e as bombas em Hiroshima e Nagazaki causaram mortes e deformidades na população.

Hulk em 1962

Hulk em 1962

O Homem-Aranha, criado também pela Marvel apenas com três meses de diferença do Hulk, reflete a mesma discussão. Ao ser picado por uma aranha radioativa, o super herói ganha poderes – diferente dos heróis anteriores, que já nasciam com poderes ou atuavam sem, como Batman e o Justiceiro.

Homem-Aranha em 1962

Homem-Aranha em 1962

O Capitão América é um “irmão” mais antigo da Marvel, criado em 1941. A primeira capa já causa bastante, mostra ele batendo no Hitler, refletindo algumas características de heroísmo americano da época: ser patriota e contra o nazismo. Esse herói é o sonho do soldado americano, ou seja, ter toda a capacidade e fidelidade possível. Ele é um super soldado.

Capitão América em 1941

Capitão América em 1941

Já o Thor, convenhamos, não segue o mesmo caminho. A Marvel reimaginou o deus do trovão viking em agosto de 1962, numa década de rebeldia, em que a  contracultura surge em reação à indústria cultural. A procura de concepções de mundo alternativas, histórias que não eram nem gregas nem hebraicas fizeram sucesso, como as indianas e a mitologia egípcia e nórdica. Thor como deus nórdico não tem a mesma origem do que o dos quadrinhos. O dos anos 60 foi punido para aprender a ser humilde, algo que provavelmente refletia o que os jovens e intelectuais também procuravam nesse tempo: uma cultura menos arrogante e industrializada.

Thor em 1962

Thor em 1962

E o Homem de Ferro, que vem um ano depois pela Marvel? Com sua armadura de metal, o personagem remete às características do período da Guerra do Vietnã: mostrar como um homem pode ser uma arma, tanto com recursos para aniquilação de outras culturas como a de preservação. Lembrando que não só no campo da metáfora histórica, o herói surge no Vietnã, quando é feito prisioneiro.

Homem de Ferro em 1963

Homem de Ferro em 1963

Já viu que rolou muito Stan Lee por aqui, né. E hoje, com o selo Ultimate nos quadrinhos? Será que refletem o jeito que os heróis seriam se tivessem sido criados hoje? E o que carregam de nosso tempo?

- Keryma

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s